O escore HEART é uma ferramenta de estratificação de risco para pessoas com dor torácica avaliadas no pronto-socorro. O nome reúne as iniciais de History (história), ECG, Age (idade), Risk factors (fatores de risco) e Troponin (troponina). Foi apresentado por Six e colaboradores em 2008; estudos posteriores, incluindo Backus e colaboradores em 2013, examinaram seu desempenho em outras coortes. A soma vai de zero a dez pontos e estima a ocorrência de eventos cardíacos adversos maiores no horizonte de seis semanas. Trata-se de uma estimativa populacional, não de um diagnóstico individual.
Como calcular cada componente do HEART?
A história recebe zero ponto quando é pouco suspeita, um quando moderadamente suspeita e dois quando altamente suspeita. A avaliação considera o conjunto das características da dor e permanece sujeita ao julgamento clínico. O quiz desta página apenas organiza perguntas frequentes sobre localização, irradiação, esforço, sintomas associados e alívio. Nenhuma resposta isolada determina a classificação; uma apresentação atípica também pode ser relevante.
O ECG recebe zero se normal; um se houver alterações inespecíficas de repolarização, como bloqueio de ramo esquerdo, hipertrofia ventricular esquerda, marca-passo ou efeito de digoxina; e dois diante de desvio significativo do segmento ST. Os desenhos interativos acima são esquemas educativos, não substituem a leitura do traçado original. Idade inferior a 45 anos soma zero, de 45 a 64 anos soma um, e a partir de 65 anos soma dois.
Nos fatores de risco, nenhum fator vale zero; um ou dois valem um; três ou mais, ou doença aterosclerótica prévia, valem dois. Contam hipertensão, hipercolesterolemia, diabetes, obesidade com IMC acima de 30, tabagismo atual ou cessado há até três meses e história familiar de doença coronariana precoce em parente de primeiro grau com menos de 65 anos. Doença prévia inclui infarto, revascularização, AVC, AIT ou doença arterial periférica. Para aprofundar dois fatores, consulte as páginas de perfil lipídico e hipercolesterolemia e carga tabágica e exposição ao tabaco.
A troponina vale zero até o limite superior de normalidade do laboratório, um quando acima desse limite até três vezes o limite e dois quando ultrapassa três vezes o limite. Nesta página, os valores medido e de referência precisam estar na mesma unidade. Ensaios convencionais e de alta sensibilidade não compartilham necessariamente o mesmo limite. A avaliação da função renal em doença renal, contraste e interpretação da troponina pode acrescentar contexto, mas não corrige automaticamente o resultado do HEART.
Como interpretar as faixas de risco?
Uma pontuação HEART de zero a três é classificada como baixo risco; de quatro a seis, intermediário; e de sete a dez, alto. Estudos de coorte, como os de Six (2008) e Backus (2013), relataram proporções aproximadas de eventos cardíacos adversos maiores em seis semanas da ordem de 1 a 2,5% no grupo baixo, 12 a 20% no intermediário e 50 a 73% no alto. Esses intervalos variam conforme a população, o desfecho definido, o ensaio de troponina e o cenário de atendimento. Não são probabilidades personalizadas nem garantias para uma pessoa específica.
O horizonte de seis semanas
Dia 0Avaliação e pontuaçãoSemanas 1–3Acompanhamento nos estudosSemana 6Janela do desfecho estimado
Esta linha do tempo ilustra o período observado em estudos, não um calendário de condutas.
HEART x TIMI: qual é a diferença?
Embora ambos organizem informações clínicas relacionadas à síndrome coronariana aguda, não medem exatamente a mesma coisa nem devem ser tratados como equivalentes. O HEART combina cinco domínios com zero, um ou dois pontos cada, em pessoas com dor torácica no pronto-socorro. O TIMI para angina instável e infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento do ST, ou IAMSSST, soma sete critérios binários. Foi derivado por Antman e colaboradores em 2000 no contexto dessa síndrome, e não como substituto universal do HEART.
No TIMI, cada um dos seguintes itens vale um ponto: idade de 65 anos ou mais, pelo menos três fatores de risco coronariano, estenose coronariana conhecida de pelo menos 50%, uso de aspirina nos últimos sete dias, dois ou mais episódios de angina em 24 horas, desvio do ST de pelo menos 0,5 mm e marcador cardíaco positivo. Zero a dois pontos formam a faixa baixa; três a quatro, intermediária; e cinco a sete, alta. A opção “Comparar escores” exibe os dois resultados lado a lado, sem converter uma faixa em percentual da outra.
Quando usar e como usar os escores?
O HEART foi concebido para contextualizar o risco em pessoas com dor torácica avaliadas em serviço de urgência. Primeiro, reúna uma história clínica e um ECG reais; depois, confira idade e fatores de risco; por fim, identifique o resultado de troponina e o limite do ensaio utilizado. Pontue cada domínio e some os cinco números. Para TIMI, verifique individualmente a presença de cada um dos sete critérios na população à qual ele se destina e some os itens positivos. Em ambos os casos, interprete o resultado no contexto da avaliação médica e do protocolo local, sem transformar a categoria em uma decisão automática.
Quais são as limitações dessas calculadoras?
O HEART foi estudado sobretudo em populações de pronto-socorro; o TIMI foi desenvolvido em um grupo específico com angina instável ou IAMSSST. A aplicação a pessoas não estudadas pode produzir desempenho diferente. A história clínica tem componente subjetivo, o ECG depende de interpretação apropriada e os resultados de troponina dependem do ensaio, da unidade, do limite do laboratório e do momento da coleta. Dados incompletos impedem um HEART completo. Além disso, riscos percentuais extraídos de coortes não descrevem com precisão o destino de cada indivíduo. Dor torácica pode ter outras causas importantes: a escala de Wells para embolia pulmonar como diagnóstico diferencial é outra ferramenta contextual, não uma extensão do HEART.
Quando procurar atendimento de urgência com dor torácica?
Procure avaliação urgente se a dor no peito for nova, intensa, persistente ou preocupante, especialmente se vier com falta de ar, suor frio, desmaio, fraqueza importante, náusea ou irradiação para braço, mandíbula ou costas. Sintomas podem ser diferentes entre pessoas; a ausência de uma característica “típica” não exclui um problema grave. Se estiver acontecendo agora ou houver sinais de gravidade, acione o serviço local de emergência, como o SAMU 192 no Brasil. Não espere o resultado desta ferramenta para buscar ajuda. Os escores estimam risco e não substituem avaliação médica nem o protocolo do serviço.